Duas faces da mesma moeda

As alterações climáticas são a maior ameaça ambiental do século XXI, com consequências profundas, interdependentes e transversais às várias dimensões do desenvolvimento: económica, social e ambiental. Nesse sentido, constituem não apenas um problema ambiental, mas uma emergência humanitária e de desenvolvimento com proporções globais, afetando especialmente os mais pobres e vulneráveis. São também um desafio de direitos humanos, na medida em que afetam o direito à alimentação, à saúde, à habitação, ao sustento básico – todos direitos consagrados na Declaração Universal assinada há 70 anos. As interligações entre alterações climáticas e desenvolvimento são fortes e multidimensionais: as alterações climáticas influenciam as condições de vida naturais e humanas e, dessa forma, também as bases do desenvolvimento económico e social, enquanto as prioridades de desenvolvimento das sociedades refletem-se na quantidade de emissões de GEE que causam as alterações climáticas e aumentam a vulnerabilidade. Assim, ao nível das políticas, os modelos de desenvolvimento prosseguidos têm grande impacto nas alterações climáticas, e os esforços de combate às mudanças do clima também contribuem e influenciam a agenda global de desenvolvimento. As alterações climáticas não conhecem fronteiras e irão necessariamente refletir-se na disponibilidade de recursos e necessidades básicas como a água potável, a segurança alimentar ou a energia, com a agravante de os seus impactos na luta contra a pobreza e na promoção do desenvolvimento serem desproporcionalmente elevados nos países mais pobres.

As várias crises humanitárias dos últimos anos são exemplos dos impactos desiguais das alterações climáticas: a fome no Corno de África, em 2011 (causada por uma seca extrema de dois anos, em resultado do padrão meteorológico da La Niña) causou a morte a 260 mil pessoas; a seca no Sahel deixou 18 milhões de pessoas numa crise alimentar grave em 2012; o tufão Winston nas ilhas Fiji, em 2016, destruiu muitas localidades; a seca de mais de três anos na Síria contribuiu para exacerbar o conflito e agravar a crise humanitária que levou ao deslocamento de milhares de refugiados; e em 2017, a bacia do Atlântico enfrentou três furacões em simultâneo, devastando as Caraíbas. Em caso de desastres naturais, as infraestruturas dos países mais pobres são mais fracas e as pessoas têm menores poupanças ou seguros para fazer face à destruição.

Fonte: https://www.plataformaongd.pt/uploads/subcanais2/estudoalteracoesclimaticas-coerencia.pdf

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